27/05/2020 - IPCA-15 cai 0,59% em maio, maior queda desde o início do Plano Real
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, foi de -0,59% em maio, maior queda desde a implementação do Plano Real, em 1994, início da série histórica disponível.
A inflação transita em níveis historicamente baixos num momento em que a economia caminha por uma recessão, sob impacto da pandemia de covid-19. Em abril, o índice havia recuado 0,01%, conforme divulgado pelo IBGE.
A leitura ficou abaixo da mediana das expectativas de 32 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, que apontava para queda de 0,47% no mês, com intervalo de -0,56% a -0,30%.
Desta forma, o índice acumula agora alta de 0,35% no ano — trata-se do resultado mais baixo para o período em toda a série histórica.
Em 12 meses encerrados em maio, o IPCA-15 sobe 1,96%, abaixo do piso da meta de inflação do governo, de 2,5% neste ano — o centro da meta é de 4% neste ano, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O IPCA-15 acompanha preços de bens e serviços consumidos por famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Abrange nove regiões metropolitanas, além de Brasília e Goiânia.
A alta de 1,96% em 12 meses é também a menor taxa registrada desde fevereiro de 1999 (1,80%).
O menor índice acumulado em 12 meses da série histórica foi registrado em dezembro de 1998, quando fechou em 1,66%. Naquele ano, o país registrou quatro meses de deflação. Era um período de câmbio supervalorizado.
Quedas disseminadas
Cinco dos nove grupos de despesas que integram o IPCA-15 tiveram deflação em maio.
Num período de quedas disseminadas, o grupo de transporte — que inclui combustíveis e serviços de transportes — foi o grande destaque, com baixa de 3,15% em maio. Foi o que mais contribuiu para a deflação do IPCA-15, ao retirar sozinho 0,63 ponto percentual do índice do mês.
Também em queda de preços está o grupo de Habitação, com baixa de 0,27% em maio, retirando 0,04 ponto percentual do IPCA-15. Dentro desse grupo está a energia elétrica, que ficou 0,72% mais barata em maio, refletindo a manutenção da bandeira verde de energia.
Os demais grupos com deflação na passagem de abril para maio foram vestuário (-0,20%), saúde e cuidados pessoais (-0,13%) e despesas pessoais (-0,09%).
No campo positivo aparecem os grupo alimentação e bebidas (+0,46%), artigos de residência (+0,45%), educação (+0,01%) e comunicação (+0,22%), conforme os dados divulgados pelo IBGE.
Difusão
A inflação se espalhou menos pelos produtos e serviços que compõem o IPCA-15 em maio.
O chamado Índice de Difusão, que mede a proporção de itens que tiveram aumento de preços no período, caiu para 45,2% neste mês, vindo de 51,5% no anterior, segundo cálculos do Valor Data considerando todos os itens da cesta. Com isso, o percentual da cesta com inflação positiva voltou ao mesmo percentual de julho de 2017.
Sem alimentos, no entanto, o indicador mostrou aumento na abrangência das altas de preços, de 35,1% para 39,5%. Em março, esse percentual estava em 51,2%.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial do país, medida pelo seu quase homônimo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o chamado “IPCA cheio”. A coleta de preços do IPCA-15 ocorre da metade do mês anterior até a do mês de referência, o da divulgação.
Fonte: Valor Econômico
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